Depósitos Porfiríticos

Modelo Pórfiro adaptado de Kirkham e Sinclair, 1996

Modelo Pórfiro adaptado de Kirkham e Sinclair, 1996

Neste post o GeodoMundo vai mais fundo na geologia, abordando sinteticamente sobre o modelo metalogenético de depósitos porfiríticos. Acredite, para abordar o assunto de modo respeitoso e com todo critério seriam necessárias várias páginas ou vários posts sobre o tema, porém, ao terminar de ler o post terá uma noção de como se formam, como se comportam e quais assinaturas podem exibir um depósito do tipo pórfiro.

Antes de mais nada é importante ressaltar que este tipo de depósito está relacionado a cerca de 60% do cobre mundial, com o nosso vizinho Chile como grande líder nesta produção. Agora vamos ao que interessa.

Depósitos tipo Pórfiro ou porfiríticos são grandes, em geral maiores que 100Mt, e podem ocorrer na forma de mineralização disseminada, em brechas e também hospedada em veios de quartzo, tudo isto hospedado e associado a corpos intrusivos geralmente granitóides (batólitos ou diques), que por sua vez estão associados a um ambiente tectônico de arco magmático em regime compressivo, porém, existem outros ambientes formadores de pórfiros. Em maioria estes depósitos estão encaixados em profundidades menores que 10km (até 5km em geral) e apresentam idades Arqueanas(?) até Quaternárias, com a maioria dos depósitos sendo Cenozóicos ou Mesozóicos.´

Tudo bem… Para ilustrar o que foi falado até aqui veja a imagem abaixo. Nela está ilustrada a formação do pórfiro no típico ambiente tectônico de arco magmático continental sobre uma zona de subdução, que será um pouco melhor explicado a seguir.

Ambientes tectônicos para formação de depósitos tipo pórfiro - Reprodução de Richards, 2009 (Fig.1A)

Ambientes tectônicos para formação de depósitos tipo pórfiro – Reprodução de Richards, 2009 (Fig.1A)

Em sua maioria os depósitos tipo pórfiro são formados neste ambiente tectônico, onde a intrusão porfirítica é produto normal de magmatismo de arco continental, porém, processos similares podem ocorrer em arcos de ilha mais antigos. Neste ambiente ilustado na figura acima ocorre fusão, assimilação, agregação e homogeneização da crosta, processo comumente apelidado pela sigla em inglês MASH (melting, assimilation, storage and homogenization). Com a fusão da crosta uma nova pluma mantélica se formará e buscará ascender pela crosta continental, onde também irá interagir com as rochas já resfriadas.

De forma sintética, como o post, segue uma lista dos tipos de depósitos que podem estar associados ao tipo pórfiro, bem como os elementos que usualmente precipitam em cada um:

- Skarns (Cu, Fe, Au e Zn);

- Polimetálicos (substituição) – (Ag, Pb, Zn, Cu e Au);

- Veios poolimetálicos (Au, Ag, Cu, Zn, Pb, Mn, As);

- Ouro-prata disseminados (Distal) – (Au, Ag);

- Veios epitermais de Ouro-Prata (intermediária a baixa sulfetação) – (Au, Ag, Pb e Zn);

- Epitermal de alta sulfetação (Au, Ag, Cu e As).

A presença de qualquer um destes depósitos não implica diretamente na existência de uma fonte do tipo pórfiro e vice-versa! Apenas podem estar associados ou relacionados.

Tipos de depósitos associados a modelo pórfiro - Modificado de Sillitoe e Bonham, 1990.

Tipos de depósitos associados a modelo pórfiro – Modificado de Sillitoe e Bonham, 1990.

Esta figura de Sillitoe (grande nome no que diz respeito a modelo pórfiro) exemplifica a associação de depósitos com o porfirítico.

No Brasil um depósito porfirítico bastante conhecido é o de Cu-Au Chapada, no Arco Magmético Goiás, noroeste do estado homônimo. A reserva do depósito é de 421 Mt (medida+indicada) com teores de 0,31% Cu e 0,225g/t Au. Sim, baixos teores, mas grande volume. Para saber mais sobre o depósito clique aqui para ter acesso ao e-book da CPRM (Serviço Geológico do Brasil) de título “Modelos de depósito de Cobre do Brasil e sua resposta ao intemperismo” e vá para a página 51.

Para finalizar segue uma figura para ilustrar uma característica importante para definição de modelos do tipo pórfiro, que é a ocorrência de veios de parede irregular, chamados de Quartz A-Type (veios tipo A). De forma simples, são os veios que ocorreram enquanto as rochas não estavam completamente resfriadas e por isso apresentam paredes irregulares, normalmente são os mineralizados. Os Quartz B-Type (veios tipo B) apresentam paredes regulares e mais rúpteis, usualmente estéreis, pois ocorreram em fase tardia em relação ao pórfiro.

Veios de quartzo Tipo-A - Depósito Oyu Tolgoi na Mongólia

Veios de quartzo Tipo-A com Pirita, Calcopirita e magnetita ocorrendo no centro ou paralelos aos veios – Depósito Oyu Tolgoi na Mongólia

Bom… deu para sentir que o assunto pode ser muito melhor aprofundado e o post foi apenas uma pincelada do GeodoMundo.

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